A literatura caracteriza-se pela habilidade de compor/escrever artisticamente. Um texto literário é aquele que dá um "efeito artístico" e provoca o leitor, como por exemplo: a poesia.
Mas, por que estamos falando e/ou definindo esses conceitos de literatura/leitura literária?
Porque no âmbito escolar somos "doutrinados" a fazer uma leitura fragmentada de textos, com o fim de reproduzi-los nas inúmeras atividades propostas no livro didático ou pelo próprio professor. Esse tipo de leitura acaba privilegiando apenas a decodificação, excluindo/ignorando a subjetividade do sujeito.
Nas academias, por sua vez, a presença da leitura teórico-científica é bem valorizada. Geralmente essas leituras são utilizadas em resumos, seminários, debates e etc. Esses textos são fundamentais para a formação dos estudantes, mas nem sempre permitem o contato cultural e as trocas com os demais a partir das vivências.
Algumas práticas acabam interferindo no gosto/seleção das pessoas por uma determinada obra ou deixam certos "traumas". Pois, quem de nós já não ouviu alguém dizer que não gosta de ler!?
Acreditamos que a literatura pode intervir significativamente nesse processo, trazendo análises mais críticas, visões de mundo, valores, como também o diálogo com o outro. Sendo assim, ela permite o compartilhamento de experiências e sentidos por meio da narração.
Portanto, a leitura de obras literárias possui um caráter humanizador, no sentido de desconstruir paradigmas através do reconhecimento das desigualdades e proporcionar (re)significações individuais e coletivas. Conforme Kramer (2000),
O leitor leva rastros do vivido momento da leitura para depois ou
para fora do momento imediato – isso torna a leitura uma experiência. Sendo
mediata ou mediadora, a leitura levada pelo sujeito além do dado imediato,
permite pensar, ser crítico da situação, relacionar o antes e o depois,
entender a história, ser parte dela, continua-la, modifica-la. Desvelar.
(p. 107).
Logo, o nosso objetivo é trazer a valorização e o incentivo desses tipos de textos, proporcionando um espaço onde é possível compartilhar e tornar a leitura efetivamente como experiência.
Ou: KRAMER, Sônia. Leitura e escrita como experiência –
notas sobre seu papel na formação. In: Zaccur, Edwiges (org.) A magia da linguagem. Rio de Janeiro:
DP&A, 2000.
Any, Bianca e Maria Luiza.